3.5.10

pidipaparaparô.

olha, vocês que cresceram comigo, que brincaram comigo, que brigaram, que riram, que estudaram, que tomaram todas, vocês que parecem que estão do meu lado desde sempre, vocês que elaboraram projetos, que executaram projetos, que viajaram, vocês que se formaram... já chega, ok?
parem com esse papo de mestrado, de doutorado, de pós no exterior, de apartamento comprado, de investimento garantido, de casamentos marcados, de filhos planejados, de perspectivas, de futuro a curto prazo que eu finjo ser longo, bem longo.
vocês todos, por favor.
parem por aqui.

22.3.10

Décimo segundo

Ontem, dia 21 de Março, fez um ano que minha terapeuta sofreu um acidente quase fatal.
Hoje, um ano e um dia depois, voltamos às sessões.
Engraçado o quanto mudamos nesse tempo e mais engraçado ainda eu falar na primeira pessoa do plural.
É que a gente nem para pra pensar, mas pelo menos pra mim, falar do meu último ano em quarenta e cinco minutos foi como vomitar loucamente e depois sentir aquela sensação de alívio. Não que eu goste de vomitar, mas eu sinto isso, me deixem.
Nesses quarenta e cinco minutos eu falei que me formei, que tirei dez no meu projeto de conclusão de curso e entreguei uma cópia do filme pra ela. Contei do meu trabalho sacal que se torna maravilhoso pelas pessoas que me rodeiam por lá, contei que viajei, contei que me apaixonei, que sofri, que quase morri. Contei que me apaixonei por mim.
Falei também que tô bebendo mais do que antes, gastando mais do que antes e, principalmente, respeitando as minhas vontades mais do que antes. Tô aceitando as pessoas, seus ciúmes, crises e sadismos porque, ora, são pessoas. Eu só não aceito orgulho porque ela me ensinou que orgulho quando é demais deixa de ser orgulho e passa a ser burrice. E como eu também sou humano, fiz questão de deixar de fora casos e criaturas que não merecem qualquer citação.
Não precisei falar que estava dez quilos mais gordo ou mais forte, como queiram. Ela percebeu e perguntou se eu tinha noção que eu estava mais bonito. Linda.
Que saudade da vista daquela janela.

3.3.10


27.2.10

Dessa vez eu senti vergonha mesmo.

Minha gente, eu tava vindo pra casa no busão, tirando aquele cochilo básico e tá ligado aqueles espasmos de corpo inteiro que você tem do nada quando não tá num nível de sono profundão? Pronto.
De repente eu dou um pulo na cadeira e o pior: tinha um cafusú ferêz do meu lado que tomou um susto por tabela e olhou pra mim com uma cara de oxe, meu bróder, que porra é essa, movéééi?
Eu sei que, automaticamente, fingi que meu celular era uma britadeira e tinha vibrado loucamente no meu bolso. Achando pouca palhaçada, eu não cutuquei fingindo que tinha recebido um torpedo nããão. Fiquei lá, altos papos comigo mesmo e mordendo a parte de dentro do lábio com toda minha força pra tentar conter a gaitada que eu tava com vontade de dar.
Just the grace, né? Precisava compartilhar e deixar registrado o quanto me impressiono comigo mesmo. Beijos.

25.1.10

2010.2

Hoje, no caminho de volta, parei pra comprar um casquinho de sorvete de morango.
E foi tão bom.

31.12.09

Em 2010

que a gente aprenda a dizer não, pra sobrar mais tempo pro sim.

martha m.

7.12.09

Rua dos Bobos, número 0.

A idéia era construir um arranha-céus. Além da fachada, o interior também tinha que ser bem lindo.
Tijolo por tijolo, anos depois, você viu a obra concluída, mas sempre sentiu falta de algo, sabe? Algo a mais.
Mas, olha, não é que esteja faltando algo de fato. É que você simplesmente construiu a coisa errada e aí, meu amigo, das duas uma: ou você se contenta com o que tem ou você desconstrói tudo pra depois tentar reconstruir. E no meio disso, querendo ou não,
tudo que você terá é um terreno baldio.

29.11.09

eu: às vezes eu queria entrar na tua cabeça só por uns três segundos, sabia?
ele: tu já visse aquele filme, "a cela"? era assim que tu ia se sentir.
eu: tu já visse "em busca da liberdade"?

23.11.09


22.11.09

A vida como ela é

Estou eu, às 7h30 da manhã de um domingo, me arrumando para laborar, quando escuto batidas na porta do banheiro.
Ao abrir, minha mãe, com uma expressão resignada pergunta:

- Tas vomitando, é?