3.3.08

SOHNOS

o lugar era novamente familiar, ainda da época da pseudo-infância, da época que eu tinha uma rotina. olha que feliz, eu tinha uma rotina. mais uma vez não sabia o que fazia ali, sozinho, sentado numa calçada, olhando pro trânsito parado de carros antigos. dentro de um deles havia um senhor. não sei bem quem era. talvez o tio da little miss sunshine piorado. o fato é que ele me olhava. muito. indiscretamente. tenho medo de gente assim. e com razão. num piscar de olhos ele já estava fora do carro, correndo atrás de mim com uma faca na mão e uma cara de psicopata. a faca não era tão assustadora. aquelas dos jogos de talheres, tramontina. mas a cara de psicopata compensava.
eu corri, lógico. aliás, mais uma vez tentei correr em vão. a sensação dessa vez não era de estar em baixo d'água. era como se eu fosse um fantoche controlado por alguém que se divertia bastante em me ver tentando correr sem conseguir.
entrei numa pequena farmácia. pequena mesmo. mal cabia uma pessoa e não havia remédio algum. mas era uma famárcia. no meio (que era canto) havia um isopor. vendia-se picolés de graviola com um toque de mel. custavam cinquenta centavos cada. mas eu não sei porque, achei que eram trinta. catei as moedas, mas não deu tempo de comprar porque o perseguidor tinha voltado à ativa.
saí tentando, novamente sem sucesso, correr. dessa vez foi um pouco menos lento. a locação agora era um mercadinho. entrei pedindo abrigo e de um quarto nos fundos liguei para casa. alguém tinha que me salvar, me tirar dali.
chama, chama e ninguém atende.

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